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Blog - Dr. Nestor Vasconcelos

Cirurgião Plástico

Editorial Revista Fertilis

Modelagem corporal: aspectos do pós parto.

A maternidade dá o sentido da existência humana e é a condição primordial para a preservação da espécie: simplesmente não existiríamos sem ela. Contudo, ela traz consequências ao contorno corporal feminino que muitas vezes terão que ser corrigidas em um tempo futuro cirurgicamente. As mais observadas são as alterações das mamas e do contorno do abdome.

No período da gravidez , as mamas tornam-se túrgidas e volumosas com a lactação, sofrem um estiramento dos tecidos como a glândula e ductos mamários , um edema(inchaço) de ordem hormonal e aumento do volume da gordura pelo aumento de peso. A pele , por sua vez, também sofre com essa sobrecarga e , muitas vezes, adquire estrias e flacidez. Após o parto e amamentação, as mamas perdem ou não esse volume em excesso e há uma mudança progressiva em que a glândula é substituída por gordura (lipossubstituição mamária).

A pele estirada pode em algumas vezes regredir e a mama volta ao tamanho original ou mesmo diminuir. Mas na maioria das vezes ela sofre ptose (queda), hipertrofia (aumento) ou as duas juntas (hipertrofia e ptose). Essas condições citadas irão depender da característica genética da paciente e dos cuidados durante o período da gravidez como a prevenção do ganho excessivo de peso, atividades físicas orientadas e cuidados estéticos. No abdome, da mesma forma, há alterações que advêm do aumento do volume do útero pelo estado gravídico.

A parede abdominal sofre esse estiramento progressivo com afastamento da musculatura dos reto-abdominais, da pele e há o acúmulo de gordura pelo ganho natural de peso e estado hormonal. Após o parto , a pele pode tornar-se flácida e com estrias em maior ou menor grau. E a musculatura pouco frequentemente volta à sua posição inicial pré-gravídica. Aqui de novo vale salientar os cuidados que citamos há pouco. A decisão por uma Cirurgia Plástica deve sempre partir da paciente , do seu incômodo com o bem estar fîsico e mental, da sua auto estima. É de bom alvitre que seja compartilhada com os familiares.

O período mínimo recomendado após o parto é de 6 meses, quando as alterações de volume do útero e hormonais já cessaram. A relação mãe e filho e amamentação em um estágio mais amadurecido. O edema(inchaço) e a lactação já devem estar finalizados. A decisão de operar ou não também deve envolver a perspectiva futura de uma nova gravidez. Se há a decisão do casal em ter uma nova concepção em um período curto de tempo (1 ou 2 anos), aconselhamos a realização do procedimento posteriormente. Mas cabe ao médico e paciente decidirem, pois em algumas situações o incômodo e a insatisfação com a imagem impelem ao procedimento.

A consulta deverá abranger a queixa principal da paciente, a sua história de hábitos e doenças prévias, o exame físico realizado pelo médico e o objetivo almejado. A associação das duas cirurgias, mamoplastia e abdominoplastia , é um assunto controverso e deve ser discutido minunciosamente com o cirurgião. A abdominoplastia , salvo algumas exceções , é sempre realizada com lipoaspiração. A Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1711, de dezembro de 2003, reconhece a técnica de lipoaspiração como um procedimento válido e consagrado dentro da Cirurgia Plástica.

Normatiza que os volumes aspirados não devem ultrapassar 7% do peso corporal com a técnica infiltrativa (mais usada) ou 5% quando se usar a técnica não infiltrativa. Da mesma forma, não deve ultrapassar 40% da área corporal. Portanto, ao associar-se os procedimentos mamoplastia, abdominoplastia e lipoaspiração, é prudente realizar esta última de forma mais parcimoniosa. A expectativa de vida vem aumentando progressivamente. Ela deve ser acompanhada de um aumento da qualidade de vida funcional e mental. A estética corporal está intimamente ligada a este conjunto. Mens sana in corpore sano (Mente sã em corpo são) é uma expressão latina do filósofo romano Juvenal do século I depois de Cristo, mas que traduz bem a realidade contemporânea.

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